Nos dias 21 e 22 de outubro, a Província Eclesiástica de Uberaba viveu um marco histórico com a realização do I Fórum de Bens Culturais, sediado no Centro de Pastoral da Arquidiocese de Uberaba. O evento reuniu bispos, especialistas, religiosos e gestores de museus e memoriais de arte sacra de todo o Triangulo Mineiro, consolidando uma nova etapa na valorização e preservação do patrimônio cultural da Igreja em Minas Gerais.
Com a presença dos cinco bispos da Província — Dom Paulo Mendes Peixoto (Uberaba), Dom Paulo Francisco Machado (Uberlândia), Dom Claudio Nori Sturm (Patos de Minas), Dom Valter Magno de Carvalho (Ituiutaba) e Dom Geovane Luís da Silva (Divinópolis) o Fórum destacou-se como um gesto de comunhão e corresponsabilidade entre dioceses, reafirmando que a salvaguarda dos bens sagrados é também uma missão evangelizadora.
A missa de abertura, realizada no Mosteiro Nossa Senhora da Glória, marcou o início dos trabalhos, recordando que o cuidado com o patrimônio material é expressão concreta da fé e da memória do povo de Deus. Ao longo dos dois dias, foram promovidas conferências, debates e mesas temáticas sobre gestão, conservação e criação da Rede de Museus e Memoriais de Arte Sacra, uma iniciativa inédita que pretende unir dioceses e instituições na proteção e divulgação do patrimônio religioso da região.
Segundo o Pe. José Rinaldo da Silva Trajano, secretário da comissão organizadora, o Fórum “é um marco para sairmos do trabalho isolado, quase sempre sustentado pela boa vontade de poucos, e partirmos para uma gestão profissional e articulada. Essa rede será um espaço de troca, inventário unificado, políticas de conservação e maior visibilidade ao nosso acervo sacro.”
Dom Geovane Luís da Silva, presidente da Comissão para os Bens Culturais da Igreja no Regional Leste 2, destacou o caráter missionário da iniciativa:
“O que testemunhamos em Uberaba é mais do que um fórum regional; é o início de um movimento nacional. A preservação da memória material da Igreja é parte essencial da evangelização.”
Participaram também instituições de referência como o Museu de Arte Sacra da Igreja de Santa Rita e o Museu da Capela do Colégio Nossa Senhora das Dores (Uberaba); o Museu de Arte Sacra e o Memorial do Santuário Nossa Senhora Aparecida (Uberlândia); a Sala Histórica e de Arte Sacra da Diocese de Patos de Minas; o Museu Padre Eustáquio (Romaria); o Museu Arquidiocesano de Brodowski (SP) e o Museu da Torre do Santuário de São Domingos (Araxá).
O evento encerrou-se com a certeza de que a Igreja em Minas Gerais dá um passo decisivo para unir fé, cultura e memória, reconhecendo que preservar é evangelizar, e que cada imagem, documento ou obra sacra é um testemunho vivo do encontro entre Deus e o seu povo.