Homilia: 25 anos de Ordenação Presbiteral do Pe. Geraldo Gontijo

“Coube ao padre Geraldo, nesses 25 anos, derramar nos corações o óleo da alegria — grande fruto do Espírito Santo.”
Por Dom Paulo Francisco Machado

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Diocese de Uberlândia

É sempre com grande alegria que a Diocese celebra o jubileu de um de seus ministros. Agradecemos a Deus, o Senhor das vocações, por continuar dotando nossa Igreja Local de padres para o seu serviço. Queremos, pois, celebrar o Pai de Jesus Cristo pela sua bondade para com nossa Igreja.

A vocação presbiteral é chamada de Deus e resposta livre, porque resposta de amor, da pessoa humana. Cabe-nos agradecer ao padre Geraldo. Ele foi pároco de Bom Jesus, de Nossa Senhora do Caminho, e hoje da Paróquia de Nossa Senhora do Carmo. Foi reitor do seminário e, como ex-reitor, membro do Conselho de Formadores.

Aproveito a oportunidade de, diante de três das irmãs do padre Geraldo, agradecer à sua família. É certo que tantas vocações brotam das contas do terço, em especial das avós. E, ainda agradeço a comunidade, uma vez que é toda ela envolvida no processo formativo de um jovem. Comunidades piedosas conquistam do coração de Cristo bons e santos padres.

Na primeira leitura, de escolha do próprio padre Geraldo, o profeta Isaías está a animar os judeus a retornarem do exílio e a enfrentar os imensos desafios do retorno a Jerusalém. O padre, sempre animado pelo Espírito Santo, tem as mãos ungidas para continuar a construção da” Civilização do Amor”, mesmo nas grandes dificuldades do tempo presente. Ele encoraja o povo a não se desgarrar do Único e Supremo Pastor: Jesus Cristo. Na sociedade dos ‘fake News e deep fakes”, o presbítero anuncia a Verdade Daquele que se entregou na Cruz por nós, em nosso lugar. A Verdade é o amor crucificado.

Nesse sentido, seguindo as inspirações encontradas na carta de São Paulo aos Coríntios, o sacerdote anuncia o Crucificado, Morto e Ressurrecto. Ele indica o Caminho ao “Povo de Deus”, riquíssima expressão teológica da Lumen Gentium. Na verdade, estamos ainda a descobrir todas as suas potencialidades, o que o atual Papa vem desenvolvendo por palavras e por práticas como, por exemplo, propor escutar com atenção os batizados, animados pelo Espírito Santo. É por isso que o padre tem obrigação de formar, escutar os Conselhos, mesmo porque todo o povo é coprotagonista da evangelização, missão de toda a Igreja e sentido de sua presença no mundo. O Papa nos convida a, como povo em comunhão, caminhar juntos, a escutar e recorrer ao Espírito Santo, animador de todo o Corpo de Cristo.

Inspirado no texto do profeta Isaías, entendemos que ele pode ser aplicado ao Pe. Geraldo, porque pela ordenação presbiteral ele foi consagrado para uma missão. Assim, o padre é chamado a deixar-se conduzir pelo Espírito e, na missão evangelizadora e santificadora, não nos esqueçamos, é sempre o Espírito Santo o grande protagonista.

Padre Geraldo há 25 anos teve suas mãos consagradas para estendê-las sobre o pão e o vinho e torná-los o corpo e sangue do Senhor que nos redimiram e reconciliaram com o Pai. No altar ele celebra, faz memória da vida de Jesus, sua morte e ressurreição e que é a fonte do Paráclito para nós. Suas mãos abençoaram o amor de tantos jovens casais e deitaram o bálsamo da paz e da reconciliação nos corações atribulados dos pecadores.

O padre, como o profeta Isaías, é chamado a anunciar a alegria para os tristes e humilhados; a enfaixar as feridas dos peregrinos da Esperança; a anunciar a liberdade concedida por Jesus, o Libertador. Chamado a fazer com que o povo fiel compreenda que a vida é graça e, a vida divina é obra extraordinária da misericórdia do Pai, é vida divinizada pela ação do Santo em nós, é graça extraordinária. Coube ao padre Geraldo nesses 25 anos derramar nos corações o óleo da alegria, o grande fruto do Espírito Santo segundo Gl. 5.

O evangelho escolhido por Padre Geraldo convida-nos ao empenho na promoção de verdadeiras vocações presbiterais, pois também o mundo de hoje está repleto de ovelhas à procura de seu pastor verdadeiro, que as leve ao Supremo Pastor.

Jesus, por meio de seus presbíteros, se torna presente como numa espécie de misteriosa “transubstanciação” no seu sacerdote. Será o padre que hoje, com o seu coração humano, permite a Jesus se compadecer de uma multidão perdida. É o padre que, decorridos dois mil anos, empresta seu coração para que Jesus sinta hoje a dor, a angústia e o cansaço de seu povo. E, os fiéis irão perceber que são amados por Jesus, através da ternura e compaixão do presbítero.

Somos todos convidados a rogar ao Senhor da messe que envie operários para o cuidado do campo do Senhor a fim de que muitos jovens atendam ao chamado de Jesus para Servi-lo, cuidar de seu rebanho.

A preocupação pela Messe é nossa, como o próprio Cristo afirmou, é de todo o povo de Deus. De uma paróquia piedosa nascem muitas vocações sacerdotais.

Que o Senhor, padre Geraldo, conceda força aos seus joelhos para andar à frente dos fiéis que Cristo, através da Igreja, lhe concedeu, e quando necessário andar atrás a amparar as ovelhas feridas.

De minha parte, digo de coração: “Muito obrigado”.