Dom Paulo Francisco Machado
Tem razão o consagrado escritor católico inglês quando afirmava que todo pau serve para dar paulada na Igreja. Realmente, ao sair a nomeação do substituto do Papa Francisco, logo, alguns setores da sociedade foram ao encontro de seus possíveis “pecados “e, se não os tiver, não custa nada lançar suspeitas, costurar mentiras em torno de sua história. No fundo, tem razão a Teologia Católica ao afirmar que a nossa natureza foi contaminada pelo pecado. Parece-me que certos meios da imprensa sentem um estranho prazer em jogar lama nas pessoas, sobretudo as mais dignas.
Foi assim com o Papa Francisco, quando alguns setores da mídia afirmaram que ele havia compactuado com o regime ditatorial e militar do governo da Argentina. Imediatamente saiu em sua defesa nada menos que Adolfo Pérez Esquivel prêmio Nobel da Paz do ano de 1980.
Agora, quanto ao novo Papa da Igreja Católica, Leão XIV muitos se prontificaram em lançar sobre ele a acusação de ser benigno no enfrentar a dolorosa questão da pedofilia. Quem poderia sair em sua defesa infelizmente morreu, o seu predecessor, o Papa Francisco, quem mais combateu esse horrendo crime.
Quero crer que poucos previam a eleição Robert Francis Prevost, um agostiniano nascido nos Estados Unidos da América e com cidadania peruana, pois viveu por uns vinte anos n Peru. Não o conheci, nem me recordo de seu rosto entre os alunos do Angelicum, pois enquanto ele iniciava seu curso de Direito Canônico no ano de 1984, eu também começava o mestrado em Teologia Dogmática na mesma Universidade. Fomos contemporâneos.
Quero fazer uma rápida aproximação, uma simples e rápida tentativa de abordagem sobre possíveis rumos que Leão XIV imprimirá à Igreja.
O primeiro fato é a escolha do seu nome: Leão XIV. O nome escolhido dá-nos balizas de seu magistério. Realmente, o papa Leão XIII, cuidou da questão do operariado, a viver na época – e ainda hoje – uma situação humilhante, indigna de uma criatura, exposto a um longo, fatigoso e torturante jornada de trabalho. Até a cem anos atras, países ditos avançados contratavam crianças para trabalho nas minas de carvão. Hoje, na nossa querida e amada Minas Gerais, por vezes temos notícias de pessoas submetida a um trabalho semelhante à escravidão. O Papa Leão, vivendo por duas décadas no Peru, viu, condoeu-se e procurou melhorar a triste situação do operariado.
O Sumo Pontífice está a temer os rumos da humanidade em relação a uma imensa “massa” de pessoas que, por estarem despreparadas para a chamada Indústria 4.0 fruto da quarta revolução industrial a integrar novas tecnologias: Internet da Coisas, I.A, Robótica, Big Data,.. A previsão é de um crescimento enorme de pessoas a serem alijadas dos benefícios que uns poucos irão auferir de desse desenvolvimento tecnológico.
Agora permitam-me puxar a brasa para a minha sardinha. É que Leão XIII, instigado por Elena Guerra, escreveu uma Encíclica sobre o Espírito Santo e, aqui na cidade de Uberlândia deu-se o milagre que levou a beata à canonização, ao altar. Nesse sentido, e seguindo os passos de seu antecessor a nos convidar sempre a escutar o Espírito, companheiro de nosso coração, vamos aprender a ouvir a voz suave e doce da Terceira Pessoa Divina para os devidos encaminhamentos pastorais da Diocese.
Viva o Papa Leão XIV, que o Senhor lhe conceda Paz e muito entusiasmo na condução da Igreja de Cristo. E que alegria, fruto do Espírito (Gl 5 ) o anime na condução da Igreja de Cristo.