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EUCARISTIA: CONSUMIR OU COMUNGAR?

Entre o hábito religioso e o encontro transformador: a Eucaristia como comunhão que cura, integra e transforma a vida.

Everton Pedro Xavier SouzaPublicado por Pe. JotaPê 3 min de leitura Sem comentários
Foto: Departamento de Comunicação

Everton Pedro Xavier Souza

A pergunta “consumir ou comungar?” expressa um desafio espiritual marcado pelo contexto atual, pois vivemos numa cultura que transforma tudo em produto. Esse modo de viver gera uma mentalidade consumista que, sem perceber, muitos levam também para a perspectiva da fé. Assim como há quem viva movido por uma necessidade constante de reter e acumular, há também quem se aproxime da Eucaristia apenas para “pegar” algo sagrado, sem deixar que esse mistério transforme a sua vida.

Consumir a Eucaristia é tratá-la como um objeto religioso que se recebe por hábito ou emoção. O gesto de estender a mão no momento da comunhão, ou ajoelhar-se, torna-se mecânico e sem consciência do que se acolhe. A mesma lógica com que lidamos com o alimento físico para compensar sentimentos confusos pode ser reproduzida diante do altar, uma vez que se busca alívio imediato, mas não cura; sensação, mas não transformação.

Comungar, porém, é um ato diferente, pois significa unir-se a Cristo, permitindo que Ele seja o centro e se misture à nossa vida. Assim como o alimento do corpo nos fortalece, o alimento da alma, recebido com fé e abertura interior, nos cura e integra o nosso ser.

A forma como comungamos reflete, inevitavelmente, a maneira como tratamos as pessoas ao nosso redor. Quem consome a Eucaristia tende também a “consumir” o outro e as coisas. Busca nas pessoas aquilo que alivia suas tensões emocionais, mas não se abre à verdadeira comunhão. Já quem comunga de verdade aprende a viver na gratuidade e no encontro.

Essa diferença também aparece na forma como tratamos nossos próprios sentimentos. Consumir significa silenciar emoções por meio de compensações rápidas. Comungar significa apresentar ao Senhor a verdade do que sentimos, permitir que Ele toque o que está ferido e fortaleça o que está frágil. Comungar é deixar-se transformar.

Por isso, a distinção entre consumir e comungar não é teórica, mas existencial. Consumir mantém nossas relações centradas em nós mesmos; comungar nos faz viver no Cristo que se doa. Consumir nos faz aproximar das pessoas por interesse; comungar nos faz amá-las como irmãos. Consumir nos leva a sufocar emoções; comungar nos introduz na verdade afetiva iluminada pela graça.

Quando compreendemos que a Eucaristia é ação de graças e participação real na vida de Cristo, então cada comunhão deixa de ser um gesto automático e se torna encontro. E esse encontro transforma a forma como convivemos e sentimos. Comungar é permitir que Cristo viva em nós.

 

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Everton Pedro Xavier Souza
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Everton Pedro Xavier Souza

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