Campanha Voto Cidadão

Com reflexões semanais e mensagem oficial da CNBB, a ação convida os cristãos a exercerem o voto com responsabilidade na construção de um país mais justo e fraterno

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Foto: Diocese de Uberlândia

A Comissão Diocesana de Justiça e Paz (CDJPaz), em sintonia com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), promove a Campanha Voto Cidadão com vistas às eleições nacionais de 4 de outubro de 2026. A iniciativa surge com a anuência e o apoio do Bispo Diocesano, Dom Paulo Machado, convidando os fiéis e toda a sociedade a refletirem sobre a importância do engajamento político e da cidadania na construção de um país mais humano, justo e fraterno.

Com o objetivo de acompanhar o eleitorado ao longo de todo o período eleitoral, a campanha publicará reflexões semanais para auxiliar no discernimento e na formação de uma consciência crítica. Como compromisso institucional, a Igreja Católica e a CDJPaz mantêm sua neutralidade partidária: a campanha não indica candidatos nem partidos, focando exclusivamente no exercício livre, responsável e ético do voto direto para Presidente, Senadores, Governadores e Deputados Federais e Estaduais.

Mensagem do Conselho Permanente da CNBB ao Povo Brasileiro

(Cardeal Jaime Spengler e Bispos da Presidência, 17/06/2026)

“Examinai tudo e guardai o que for bom” (1Ts 5, 21).

Ao aproximar-se mais uma eleição nacional, nós, membros do Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, dirigimo-nos ao povo brasileiro.

A Igreja Católica não indica candidatos nem partidos. Movida pelo Evangelho e pela missão de anunciá-Lo, promove a vida, a dignidade humana e serve à construção do bem comum. Ela parte da fé em Jesus Cristo e da convicção, reafirmada pela Doutrina Social da Igreja, de que a política, quando orientada pela ética, constitui uma das mais elevadas formas de caridade.

As eleições são oportunidades privilegiadas para o exercício da cidadania e da corresponsabilidade social. Mais do que escolher governantes e representantes, somos chamados a renovar nosso compromisso com os valores que sustentam a convivência democrática, a justiça social e a fraternidade.

À luz do Evangelho, não podemos silenciar diante da escandalosa desigualdade social, da corrupção, da compra de votos, da utilização indevida dos recursos públicos e da disseminação deliberada de mentiras (fake news). Não é possível aceitar o abuso do poder econômico e político e as formas de violência que ameaçam a convivência social, enfraquecendo a confiança nas instituições democráticas. Não existe democracia sólida quando a divergência legítima é transformada em hostilidade permanente, pois o adversário político não pode ser tratado como inimigo.

A democracia, além de eleições periódicas, requer respeito às instituições da República, especialmente à Constituição Federal, ao Estado Democrático de Direito, à interdependência dos Poderes, à liberdade de expressão responsável e à participação cidadã. Exige também confiança nos mecanismos legítimos de apuração da vontade popular, respeito aos resultados das urnas e à Lei da Ficha Limpa.

Convidamos cada eleitor e eleitora a assumir sua responsabilidade. A abstenção não é a melhor escolha. O discernimento cristão exige olhar não apenas para promessas de campanha, mas, principalmente, para a história de vida dos candidatos e as consequências dos compromissos assumidos. O Brasil necessita reforçar a capacidade de construir pontes, promover encontros e cultivar a amizade social.

A esperança cristã não é ingenuidade nem otimismo superficial. Esperar significa participar, construir, dialogar, resistir ao desânimo, defender a verdade, proteger a democracia e trabalhar pela justiça. Convidamos todos os homens e mulheres de boa vontade a serem testemunhas da cultura do encontro, promotores da paz social e construtores da fraternidade.

Confiamos nosso país à proteção de Nossa Senhora Aparecida, Mãe e Padroeira do povo brasileiro. Que Ela nos ajude a percorrer caminhos de justiça, verdade e paz.

Que Deus abençoe o Brasil e ilumine cada eleitor e eleitora.

Brasília – DF, 17 de junho de 2026

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